Associação


INSTITUIÇÃO

A Associação Psicanalítica de Curitiba é uma instituição de transmissão e formação em Psicanálise, a partir das obras de Freud e de Lacan. Fundada em fevereiro de 1997, a APC norteia-se em seis vértices: transmissão, formação, ensino, clínica, exposição aos pares e prática da psicanálise em extensão, conforme enunciado em nossa carta de princípios.

Considerando que a Psicanálise não se aprende na escola mas na vivência mesma da experiência analítica, a instituição se propõe como um lugar de transmissão e troca dos efeitos desta experiência, no ensino dos conceitos teóricos, na formação que ocorre em seus diferentes espaços de trabalho, na discussão de casos clínicos.

Como esta transmissão produz efeitos naqueles que atravessam esta experiência, a instituição também visa interlocução com a polis, para que a circulação do discurso psicanalítico ultrapasse os limites institucionais e seja mais um dos discursos que circulam na contemporaneidade.

A transmissão na APC pretende-se plural: para mediar a aproximação aos textos de Freud e de Lacan são vários os ensinantes que circulam pelo lugar de mestria, bem como convidados de outras instituições.

CARTA DE PRINCÍPIO

Fundamos a ASSOCIAÇÃO PSICANALÍTICA DE CURITIBA para abrigar os princípios que consideramos relevantes para que uma instituição possa dizer-se, a partir dos ensinamentos de Freud e de Lacan, de transmissão e de formação em psicanálise, quais sejam:

Uma TRANSMISSÃO de textura tal que permita, a cada um que assume as conseqüências de sua formação, uma elaboração própria dos ensinamentos psicanalíticos. O que se aprende fica, então, subordinado – enquanto astúcias de consciência – às formações do inconsciente, já que nelas se reconhece, muito além do consciente ou inconsciente, o vetor de toda e qualquer eficácia no discurso. Aí está a razão necessária para que cada um faça a sua própria elaboração dos ensinamentos psicanalíticos.

A FORMAÇÃO é entendida, então, como dar lugar à trajetória de cada um, onde o desejo de saber se encaminha para o tripé análise-supervisão-teoria priorizando o viés da transferência, já que é nesse viés que se evidencia a disjunção do saber com a verdade, motor e ponto de inspiração fundamental da produção. Por isso, fica sublinhada a exposição aos pares e a psicanálise de cada um.

O ENSINO é pensado de forma a não dar lugar a exercícios inócuos de mestria, mas para que desperte o desejo do desejo de saber tanto quanto de suportar seu limite; este ensino será viabilizado nos cartéis, grupos de trabalho, grupos textuais e seminários.

A CLÍNICA PSICANALÍTICA será enfocada em discussões clínicas e seminários sobre temas clínicos, dando lugar para refletir, debater e produzir no que diz respeito à prática da psicanálise, bem como debruçar-se sobre as questões específicas da clínica de crianças, de adolescentes, das psicoses e da transdisciplinaridade.

A EXPOSIÇÃO dos trabalhos desenvolvidos no interior da instituição, assim como seu funcionamento, dar-se-á através de boletins periódicos, publicações específicas, debates, seminários abertos à comunidade e jornadas de apresentação de trabalhos.

A PSICANÁLISE EM EXTENSÃO terá lugar tanto no sentido de estabelecer laços com a cultura quanto no de divulgar a psicanálise na pólis. Institucionalizar-se não significa colocar a instituição como um fim e fazer de sua manutenção um objetivo único. Uma instituição idealizada a este ponto inviabiliza o trabalho e a criação instaurando algo como uma religiosidade com ídolos a serem adorados e ideais inatingíveis, o que produz efeito incapacitante sobre seus membros, deixando a singularidade de fora.

Trata-se, enfim, de se institucionalizar para tornar possível o rigor necessário à formação analítica, de se associar para enfrentar melhor a solidão do ato analítico, e para dar conta da responsabilidade de sua prática.

Existe um real em jogo na formação dos analistas, que Lacan recomenda não ocultar e sim fazer face. É necessário que a instituição proponha os horizontes possíveis, pensáveis a partir de princípios que não constituam um fim em si mesmos, existindo flexibilidade na sua administração e possibilidade de sua modificação no funcionamento. Em suma, uma instituição aberta às mudanças, sem pretensão de “estar pronta”, que possa fundar o que Moustapha Safouan denomina de um laço social novo: “para cada um, a análise prossegue: passa-se da própria história à da psicanálise de modo que ela se perpetue, engendrando uma nova geração de psicanalistas”.


GESTÃO

ORGANIZAÇÃO INSTITUCIONAL (2017)

 

CONSELHO CONSTITUINTE
Andrea Rôa d’Haese, Andréa S. Rossi, Dayse Stoklos Malucelli, Denise P.
Bueno, Maria Augusta G. Ferraro, Rosa Maria M. Mariotto, Rosane W. Licht,
Vera Tubino, Wael de Oliveira e Wagner Rengel

COMPOSIÇÃO ADMINISTRATIVA
Luiz Fernando Duran Iório, Maria Augusta G. Ferraro, Paola B. Scalzo, Wael
de Oliveira e Wagner Rengel

ESPAÇO DE ACOLHIMENTO
Andrea Rôa d’Haese, Denise P. Bueno, Isabel Chimelli, Juratriz Ribas, Madalena
B. de Lima, Rosangela Vernizi e Wael de Oliveira

ESPAÇO DE FORMAÇÃO DE PSICANÁLISE COM CRIANÇAS
Clarice W. Zotti e Rosane Weber Licht

ESPAÇO DE INTERLOCUÇÃO
Dayse S. Malucelli e Juratriz S. Ribas

SEÇÃO DA CLÍNICA
Andrea Rôa d’Haese, Denise P. Bueno, Maria Augusta Guimarães e Vera Tubino

SEÇÃO DA LETRA
Ana Luiza Gizzi, Camila Zoschke, Reijnaldo Chiaradia e Tames Moterani

SEÇÃO DE CARTÉIS
Andrea S. Rossi e Wagner Rengel

SEÇÃO DE DIVULGAÇÃO E EVENTOS
Gustavo Tonatto, Lara K. Bianchin, Leomara de Araújo Burgel, Márcia
Smolka, Paula A. Barcellos e Tames Moterani

SEÇÃO DE TRADUÇÕES E PUBLICAÇÕES
Camila Zoschke e Rosane Weber Licht

CALENDÁRIO DE REUNIÃO PARA 2017

Mês Conselho Constituinte Composição Administrativa / Espaço e Seções
Fevereiro 10 e 24
Março 10, 17, 24 e 31 03
Abril 07 e 28
Maio 05, 12 e 26 19
Junho 02, 09 e 30 23
Julho
Agosto 04, 11 e 25 18
Setembro 01, 22 e 29 15
Outubro 06 e 27 20
Novembro 10 e 24 17
Dezembro

FORMAÇÃO

PROPOSTA DE FORMAÇÃO

A formação de um psicanalista não decorre de uma graduação, tampouco de um diploma. Obter uma graduação universitária é uma exigência da pólis para o exercício de uma profissão. No que se refere à Psicanálise, por sua vez, seu exercício pressupõe uma formação na qual se situa, em primeiro lugar, como Freud apontou, a análise pessoal. Em seguida, vem a supervisão da prática clínica com um psicanalista e o estudo da teoria e da técnica psicanalíticas em uma instituição psicanalítica. É no contexto de sua análise pessoal que o analisante, quando for o caso, colocará em questão seu desejo de ser psicanalista, até que uma autorização de si mesmo seja possível como ato, conseqüência lógica desta análise.

Entretanto, Lacan acrescentou a este de si mesmo um adendo: e de alguns outros. É neste ponto que situamos o lugar da instituição psicanalítica: espaço que acolhe a circulação dos analistas, comunidade analítica que testemunha os efeitos da análise pessoal e da formação de cada um, que pode reconhecer que há analista.

Portanto, ao tripé análise pessoal, supervisão e estudo teórico, Lacan agregou um quarto item: a circulação ativa em uma instituição psicanalítica.

Por isso, uma instituição psicanalítica tem esta razão de ser: além de inscrever a Psicanálise na pólis e de abrigar a comunidade psicanalítica sustentando o discurso psicanalítico, dá lugar à formação de psicanalistas de acordo com um projeto e uma organização institucional.

São várias as instâncias de formação no interior da Associação Psicanalítica de Curitiba. A escolha e a participação nestas instâncias de formação dependem do percurso de cada um em sua relação com a psicanálise.


CATEGORIAS DE PERTENÇA

DOCUMENTO 8

Após dezenove anos de engajamento no processo formador, o Conselho Constituinte da Associação Psicanalítica de Curitiba considera que o momento institucional faz necessária uma revisão e atualização dos documentos que até agora nortearam os caminhos institucionais neste processo.

A diretiva de Jacques Lacan na Proposição de 9 de outubro de 1967 – “Não instituímos senão no funcionamento” – é retomada da Carta de Princípios da APC para orientação neste percurso.

O Documento 5 foi elaborado pela comissão de Nomeações, apresentado à Assembléia Geral Ordinária em 1999 e aprovado. Foi revisado pelo Cartel Constituinte (gestão 2003 a 2005) e novamente apresentado e aprovado em Assembléia. Nele, foram estabelecidas categorias de pertença institucional e criadas as instâncias ‘Cartel Constituinte’ e ‘Conselho de Analistas’, para permitir a instauração de um Projeto de Formação adequado àquele momento da instituição.

No documento 6 essas instâncias foram agrupadas e passaram a se chamar Conselho Constituinte (CC)

No projeto de Formação de analistas, era preciso explicar quais critérios definiriam os analistas da APC; ao mesmo tempo, a APC estava em um período institucional que não demandava posições relativas ao passe ou a qualquer outro dispositivo determinante de como se daria a passagem de analisante a analista, conforme estabelecido no Documento 5.

No momento atual da instituicão, considera-se que os critérios para a passagem de analisante a analista ainda permanecem norteados pelo entendimento de que o PASSE se dá passo a passo, a partir do lugar princeps que é a análise de cada um. Mas também se considera valiosa a indicação de Lacan de que os parceiros nos passos fazem parte desta passagem, pois o espaço institucional se descortina como aquele no qual as operações simbólicas decorrentes do processo de análise se apresentam para testemunho Outro.

Assim, para cada um que se interroga sobre esta passagem, são mantidos os indicadores de testemunho de tais operações, relacionados nos documentos anteriores:

  1. estar comprometido com o discurso analítico em sua prática clínica;
  2. convocar transferências e responsabilizar-se por elas;
  3. apresentar os momentos de seu percurso teórico-clínico aos pares da instituição;
  4. estar engajado na instituição, entendendo a APC como lugar de inserção de seu trabalho em psicanálise

Estes indicadores norteiam:

  • a passagem de Associado para Membro Praticante em psicanálise (MP);
  • a passagem de Membro Praticante para Analista Membro da APC (AM).

No primeiro caso, a passagem ocorrerá quando um Associado entender que deseja inscrever sua prática em psicanálise nos espaços de discussão e estudos institucionais,  através de solicitação escrita enviada ao CC, que agendará uma reunião entre o solicitante, um membro do CC e um membro praticante da APC.

No segundo caso, entende-se que Analista Membro da APC é todo membro praticante que se autorizou a partir do desejo advindo do processo de análise, testemunhado e reconhecido pela instituição segundo os indicadores relacionados acima. Assim, o Conselho Constituinte tem a função de referendar os resultados das operações simbólicas decorrentes da análise de cada um – no devido tempo – resultados que já estarão sendo testemunhados e reconhecidos pelos parceiros dos passos. Tal referendo se dá mediante carta convite para que este um venha a se posicionar formalmente sobre seu desejo, que produz frutos no trabalho institucional e o implica cada vez mais na transferência ao trabalho com a formação.

Curitiba, 11 de novembro de 2016.

Andréa Silvana Rossi

Dayse Stoklos Malucelli

Denise Bueno

Rosa Maria Marini Mariotto

Rosane Weber Licht

Vera Tubino

Wagner Rengel

Wael de Oliveira


INTEGRANTES (Sócios, Membros praticantes e Analistas)

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