PSICANALISE E LITERATURA

Das letras que têm por fim – e começo – esburacar o real, quem há de dizer?
A literatura persegue a mesma ordem de bem dizer que o analisante em cada um de seus tempos da palavra.
Literatura que não é literatoda e nem para todo que tenta – uma análise não é para todo que diz.
Equivalência pertinente, dado que a letra não se entrega facilmente e sua evocação é da mesma ordem da evocação das larvas, como anuncia Lacan no Seminário XI. Embora o faça a propósito do analista sitiado, o analisante não sofre menos com as larvas que borboleta não viraram. Poetas, romancistas, letristas de música, além de graduandos e pós-graduandos de várias espécies, este conhecem de demasiadamente perto o que escrever em nome próprio acarreta.
A questão não é simples pois quem há de dizer o que, tantas vezes, vem hades dizer?

Se Lacan brinca na maré entre litoral e literal também é porque não se sabe onde o real começa ou termina, terra de ninguém que é. Assim Freud já suspeitava, quando definiu o sonho como acesso ao inconsciente e seu umbigo como cicatriz do real. Podia não manejar o conceito mas antevia tamanho e matéria.

Letras no real.
Letras, na real.

No Seminário XI, Lacan afirma que o caminho do sujeito passa entre duas muralhas do impossível. Do real, já se sabe o estatuto. Mas, sem a afinidade do contingente com o impossível as letras poderiam cavar, ocupar este último? Impossível que cada passo das conjecturas – quase literaturas – transformam em contingente, simbólico e, às vezes, diabólico.

Assim, entre zênite e nadir, os textos da Revista nª 27 da Associação Psicanalítica em Revista seguem o ziguezague que a agulha do desejo borda entre linhas.

No Espaço da Letra, Edson Luiz André de Sousa e Marília Zancan Frantz, fundamentados na idéia de Lacan de que os laços sociais predominantes em cada época organizam as formas de gozo, conduzem-nos por um breve percurso pelas obras de alguns autores para interrogar uma articulação entre sujeito, capitalismo e sociedade do espetáculo, como é compreendida por Guy Debord,
Lucia Serrano Pereira parte de uma reflexão sobre a função do agalma para nos dizer como Lacan utiliza o conceito para propor o amor como tempo de suspensão do impossível da relação sexual através da ilusão que o sustenta na contingência, viabilizando o circuito do desejo e a instalação da transferência.
Luciana Salum apresenta a impossibilidade de diálogo que permeia as duas articulações mais frequentes entre psicanálise e arte, para destacar o fundamento do leitor como elemento constituinte do escrito.
Rosangela Vernizi parte da letra de Dalton Trevisan para experimentar os recursos que a psicanálise oferece no trabalho com o tema do amor-paixão.

No Espaço de Interlocução, Tames Moterani propõe mão inversa no percurso usual entre psicanálise e literatura, ao utilizar conceitos desta para analisar um processo clínico.
Wael de Oliveira conduz um sobrevôo na terra das palavras.

No Espaço Amarelinhas, Cláudia Serathiuk abre páginas de livros onde o desejo dos pais – fóbicos quanto a seu próprio desejo – é o personagem entrelinhas.

No Espaço Acadêmico, trabalho acadêmico de Andréa Batista Ribeiro e Jane Cherem Corte Bezerra da Silva interroga o que a escuta psicanalítica pode possibilitar a doentes renais crônicos que não aderem ao tratamento de hemodiálise.

No Espaço de Indicações, Wael de Oliveira apresenta a delícia de uma revista virtual.

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